• Atualizações sobre Preservação de Fertilidade

    Saiu neste mês de Setembro/17, na Fertility Sterility, Revista da Sociedade Americana de Reprodução Humana, as atualizações sobre preservação de fertilidade. Sumarizo aqui as INDICAÇÕES DE PRESERVAÇÃO DE FERTILIDADE, conforme o artigo:

    A capacidade reprodutiva pode ser seriamente afetada pela idade, síndrome genéticas e por alguns tratamentos que agridem as gônadas (testículos ou ovários).

    Muitas técnicas de preservação de fertilidade são bem estabelecidas no momento, enquanto outras são ainda consideradas experimentais, mas sujeitas a contínua revisão.

    Indicações para preservação de fertilidade:

    1. Câncer: Muitas formas de câncer estão associadas com piora da qualidade do sêmen ou função ovariana no momento do diagnóstico. No entanto, o principal efeito na fertilidade vem de tratamentos comumente usados como quimioterapia e radiação pélvica. Falência gonadal resultante destes tratamentos pode afetar diversos apectos da saúde reprodutiva, incluindo desenvolvimento puberal, produção hormonal e função sexual em adultos. Mais de 80% das crianças e adolescentes serão sobreviventes de longa data, crescendo o interesse dos efeitos a longo prazo desses tratamentos na fertilidade.
    1. Doenças auto-imunes que também necessitam de tratamentos com agentes alquilantes (ex. Ciclofosfamida):
    • Lúpus Eritematoso Sistêmico (SLE)
    • Doença de Behcet
    • Síndrome de Churg-Strauss (granulomatosa eosinofílica)
    • Glomerulonefrite resistente a esteróides
    • Granulomatose com poliangiitis (ex- Granulomatose de Wegener)
    • Doença inflamatória intestinal
    • Artride Reumatoide com Pênfigo vulgaris
    1. Doenças auto-imunes não responsivas a terapia imunossupressiva (anemia falciforme, talassemia maior, anemia plástica)
    1. Condições Médicas causadoras de falência ovariana precoce (FOP):
    • Eixo hipotalamo-hipófise–gonadal alterado
    • Ooforite ovariana
    • Tumores Benignos ovarianos
    • Mosaico da Síndrome de Turner
    • Síndrome do X frágil
    • Galactosemia
    • Beta-talassemia
    • Endometriose
    1. Desordens genéticas masculinas: ex. Klinefelter
    1. Trauma testicular
    1. Procedimentos de transformação de sexo
    1. Idade Materna
  • Preservação de Fertilidade no Câncer de Mama

    Você sabia que aproximadamente 10% dos cânceres de mama são diagnosticados em pacientes com menos de 40 anos? E que a quimioterapia utilizada no tratamento pode diminuir a fertilidade? Somado a isto, temos que considerar a idade da paciente no diagnóstico do câncer (a idade, por si só, diminui o número de óvulos), o número de filhos que deseja e qual o tempo e tipo de tratamento após a quimioterapia (fará radioterapia? Outras medicações? Geralmente, os oncologistas recomendam que a paciente fique 2 anos sem gestar após o tratamento).

    Você sabia que as evidências mostram que a gestação após o tratamento do câncer de mama não piora o prognóstico da doença e que pode até ser favorável?

    Por estas razões que a estimulação ovariana com coleta de óvulos pode preservar a fertilidade destas pacientes e dar a possibilidade de uma gestação saudável após o tratamento do câncer de mama. No entanto, a estimulação ovariana nestas pacientes deve ser especial; existem várias diferenças em relação às demais pacientes que congelam óvulos ou fazem fertilização in vitro:

    1. O estímulo ovariano e coleta de óvulos é realizado, geralmente, entre a cirurgia e início da quimioterapia, o que demora em média 6 semanas. Trabalho científico mostrou que poderíamos fazer até 2 ciclos de estimulação ovariana com segurança. Cada ciclo requer aproximadamente 11 dias de uso de injeções subcutâneas, que você mesma aplica em casa. Em geral, iniciamos com as medicações no segundo dia da menstruação, mas como, neste caso, é uma Emergência, podemos começar em qualquer período (o que demanda um maior controle ecográfico e hormonal);
    2. Pacientes com diagnóstico de câncer podem ter o número de óvulos diminuído;
    3. O protocolo de estimulação é diferente e deve conter um inibidor da aromatase –medicamento utilizado em alguns casos de câncer de mama e que impede o aumento do estrogênio, hormônio que alimenta o câncer de mama;
    4. O crescimento folicular e maturação dos óvulos pode ser diferente com o uso concomitante do inibidor da aromatase;
    5. Deve se ter cautela rigorosa para evitar a síndrome do hiperestímulo ovariano, que é uma complicação dos medicamentos injetáveis utilizados para o crescimento dos folículos e coleta dos óvulos. Esta complicação pode ser de leve (em que se manifesta por desconforto e distensão abdominal) a grave (podendo levar a internação hospitalar, o que retardaria o início da quimioterapia-e isto não se quer de maneira alguma!);
    6. O uso de Zoladex com quimioterapia (usado na tentativa de proteger os ovários da agressão da quimioterapia) em uma paciente previamente estimulada para Congelamento de Óvulos também pode causar hiperestímulo! CUIDADO!
    7. Esta pode ser a última chance desta paciente ter óvulos saudáveis, então a coleta de todos os folículos e a atenção para congelar o maior número de óvulos é muito importante!

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    Dra. Fernanda Pacheco, CREMERS 27276 – Research Fellow da NY Medical College em Preservação de Fertilidade

    Texto: Dra. Fernanda Pacheco

     Fontes:

    1.Safety of pregnancy following breast cancer diagnosis: a meta-analysis of 14 studies. Azim HA JrSantoro LPavlidis NGelber SKroman NAzim HPeccatori FA. Eur J Cancer. 2011 Jan;47(1):74-83

    1. ASCO, 2017: Pregnancy After Breast Cancer Does Not Increase Chance of Recurrence.
    2. Oktay K, Bedoschi G, Pacheco F, Turan V, Emirdar V. First pregnancies, live birth, and in vitro fertilization outcomes after transplantation of frozen-banked ovarian tissue with a human extracellular matrix scaffold using robot-assisted minimally invasive surgery. Am J Obstet Gynecol. 2016 Jan;214(1):94

     

     

     

     

     

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