• Dra. Fernanda Pacheco, participou, recentemente, de uma imersão sobre Endometriose no Congresso da Sociedade Americana de Reprodução Humana, em San Antonio-Texas, trazendo algumas novidades sobre o assunto. Confira, aqui, algumas informações que podem ser úteis para quem tenta engravidar, ou apresenta sintomas, como os descritos no item 9:

    1. 1:8 casais apresentam infertilidade e 30% deles não apresentam uma causa aparente;
    2. 30-50% dos casos de Infertilidade sem causa aparente são causados por endometriose não diagnosticada;
    3. Hereditário-50% do risco é genético;
    4. Afeta 10% das mulheres, 176 milhões de mulheres afetadas no mundo;
    5. Diagnóstico mais comum em mulheres inférteis e a causa mais comum de falha de fertilização in vitro;
    6. Causa importante de câncer de ovário;
    7. Provavelmente inicia na vida intra-útero, ou após algum procedimento médico;
    8. Em média, há um atraso de 11 anos no diagnóstico de endometriose (médicos e pacientes tendem a achar que os sintomas são normais);
    9. Sintomas: dor pélvica, cólicas menstruais e no período de ovulação, dor na relação sexual, sintomas gastrointestinais e urinários, dor de cabeça, na lombar, nas pernas, escape menstrual, etc;
    10. Novas formas de diagnóstico, além da videolaparoscopia;
    11. Tratamento multidisciplinar para controle da dor: Meditação, mindfulness, terapia cognitivo-comportamental, acupuntura, atividade física, alimentação saudável (dieta do Medityerrâneo).
    12. Diminuir Glúten, pesticidas, álcool, carne vermelha e cafeína; suplemento de vitaminas, Ômega-3, Turmeric*, probióticos; dieta Mediterrânea.

    Fontes: ASRM2017-Pre-Congress Program-PC06-Endometriosis:  Medical Overview, Old and New Diagnostics, Psychological Support Interventions, Nutritional Guidelines, and Best Care Practices

    *https://www.healthline.com/nutrition/top-10-evidence-based-health-benefits-of-turmeric

  • Método anticoncepcional de longa duração: Implanon

     

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    O Implanon, implante de 5 cm aplicado embaixo da pele do braço, , é um método contraceptivo que inibe a ovulação e dura 3 anos. As únicas contra-indicações são câncer de mama e gestação. Taxa de continuidade (aceitação) de 83 % em 1 ano, similar ao DIU. Apresenta 0.05 falhas em 100 pacientes/ano, ou seja, é muitíssimo seguro. Melhora cólicas menstruais (resolvida em 77% e reduzida em 6%). Não apresentou diferença de ganho de peso comparado ao DIU de Cobre. Infelizmente, quanto a isto, estudo americano revelou que as mulheres ganham aproximadamente 500 g/ano independentemente do método anticoncepcional, sem mudança de exercício físico nem dieta. Aproximadamente 35% das usuárias relataram melhora da vida sexual 1 ano após a inserção.

    A reverão do método (retorno da fertilidade) leva em torno de duas semanas após a remoção.

     

    Efeitos adversos:

    – Cefaléia e mastalgia (nas 6 primeiras semanas/transitórios);

    – Sangramento irregular (22% não menstruarão, sendo que 76% terão sangramento favorável, que significa de amenorreia a sangramento normal). Os sangramentos desfavoráveis podem ser manejados com medicações e tendem a melhorar em 6 meses;

    – Cistos ovarianos transitórios e benignos (achados casuais em ecografias, não causam dor);

    – Acne (tratável).

     

    A eficácia pode diminuir com alguns medicamentos: Efavirenz (tratamento para AIDS), Rifampicina (tratamento de tuberculose) e anticonvulsivantes, como a Carbamazepina.

     

    Tanto a inserção como a remoção são feitas em consultório e requerem apenas anestesia local. Os estudos de fármaco-economia demonstraram que tem custo menor que as pílulas anticoncepcionais.

  • No Caderno Donna deste fim-de-semana: preservação de fertilidade no câncer de mama

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    Estamos no Caderno Donna deste fim-de-semana: Especial Outubro Rosa, alertando sobre a preservação da fertilidade (congelamento de óvulos/embriões) antes da quimioterapia no câncer de mama.

    Você sabia que 10% dos cânceres de mama ocorrem em mulheres com menos de 40 anos? E que a quimioterapia pode causar menopausa precoce? E que uma gestação é segura após a recuperação da doença? E que você pode preservar a fertilidade antes da quimioterapia com o congelamento de óvulos/embriões/tecido ovariano para o futuro, após cura da doença?

    Podemos ajudar a avaliar o risco de uma quimioterapia afetar a sua fertilidade e na preservação.

  • Recomendações sobre a Vacina contra o HPV

    Sumário de Recomendações

    • É crucial que obstetras-ginecologistas e outros profissionais de saúde eduquem pais, parentes e pacientes quanto aos benefícios e segurança da vacinação contra HPV. O HPV está relacionado com condilomas (crista-de-galo ou verrugas) genitais e o que é pior, a vários tipos de cânceres: colo uterino, vaginal, vulvar, anal, peniano, de oro-faringe. Também pode passar da mãe para o bebê durante o parto e causar verrugas na oro-faringe do recém nascido.
    • O Centro de controle e Prevenção de doenças (CDC) e o Colégio Americano de Ginecologia recomendam a vacinação de rotina em meninas e meninos.
    • O alvo para vacinação: meninas e meninos entre 11-12 anos. (Quando se desenvolve maior proteção e atinge adolescentes que ainda não iniciaram atividade sexual). Mas se a vacina não for feita nesta idade, ainda é recomendado fazer até os 26 anos.
    • A vacinação é recomendada mesmo para quem já teve relação sexual e contato com HPV. Embora, possa ser menos efetiva em indivíduos sexualmente ativos, parece haver algum benefício, pois a exposição sexual a todos os genotipos que estão presentes na vacina é improvável. As vacinas diponíveis no Brasil: Cervarix (ativa contra os genotipos 16 e 18) e Gardasil (6,11, 16, 18). Nos EUA, já existe a vacina 9-valente, Gardasil-9 (contra os genotipos 6,11,16,18, 31, 33, 45, 52, 58).
    • Teste de DNA para HPV (genotipagem, captura híbrida) não é recomendado antes da vacinação, pois ainda se o teste for positive, a vacinação ainda é recomendada.
    • Mais de 60 milhões de doses da vacina contra HPV já foi realizada no mundo e não se notou efeito adverso grave relacionado a vacina. Pessoas que já tenham tido alergia grave relacionada a qualquer componente da vacina, ou à própria vacina, não devem fazê-la.
    • Contra-indicada em gestantes.
    • Não é contra-indicada em pacientes imunodeprimidos, como os portadores de HIV, mas a resposta imunológica pode ser diminuída.
    • De acordo com o CDC, se a cobertura da vacinação aumentar para 80%, é estimado que 53 mil casos de cancer cervical possa ser prevenido durante a vida destes jovens abaixo de 12 anos. Além disto, por cada ano que esta cobertura não aumenta, um adicional de 4.400 mulheres irão desenvolver cancer de colo uterino.

    Texto Dra Fernanda Pacheco, CRM/RS: 27276

    • Fonte: http://www.acog.org/Resources_And_Publications/Committee_Opinions/Committee_on_Adolescent_Health_Care/Human_Papillomavirus_Vaccination
  • Tudo o que você precisa saber sobre DIU de Cobre

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    Tenho notado na prática clínica uma tendência pela procura de DIUs não hormonais, os de cobre. As pacientes vêm indicadas por nutricionistas, nutrólogos, cardiologistas que indicam o método como uma medida para redução de peso, retenção hídrica, diminuição da pressão arterial, do risco de trombose, etc…ou pela simples vontade de sentir seu corpo sem a influência de hormônios.

    Historicamente, havia uma preocupação a respeito do maior risco de infecção pélvica nas usuárias de DIU, principalmente, entre mulheres jovens e sem filhos, pois estas infecções, ocasionadas por bactérias sexualmente transmissíveis, como gonorreia e clamídia, podem causar infertilidade, gestação ectópica, etc. E são justamente as mulheres jovens com atividade sexual e com vários parceiros que estão no grupo de maior risco para DSTs (PS: o uso de camisinha evita a ascensão de bactérias para o útero e pélvis). No entanto, trabalhos recentes mostram que esta preocupação pode não ser mais relevante graças ao desenvolvimento de dispositivos mais modernos, assim como o rastreamento e tratamento das infecções. Tanto que hoje em dia, o DIU é considerado um dos métodos de escolha entre adolescentes pela Sociedade Americana de Pediatria e Ginecologia devido a sua alta eficácia (0,8% das usuárias engravidaram no primeiro ano de uso típico x 8% entre as usuárias da pílula), baixa taxa de falha (imagina que a pílula pode ser tomada de forma inadequada, ser esquecida, inativada pelo uso de antibióticos, não ser absorvida no caso de vômitos, ou diarreia; enquanto o DIU, se normoposicionado, não sofre tais influências; mas atentar que anti-inflamatórios e tetraciclinas podem diminuir seu efeito). Mas lembrar que nenhum método é 100% eficaz contra gestação, nem mesmo a ligadura das trompas!

    Contra-indicações ao DIU de Cobre: Doenças que diminuem a imunidade, como AIDS, ou diabetes, uso crônico de corticoesteróides; tendênicia a anemia e/ou sangramento aumentado; defeitos das válvulas do coração; DST conhecida, suspeita de gravidez, câncer de útero ou colo, citopatológico alterado, malformação uterina…

    O principal mecanismo do DIU de Cobre é interferir na atuação dos espermatozoides e óvulos antes mesmo da fertilização.

    Existe um pequeno risco de perfuração uterina na inserção do DIU (0,1-0,3%) ou infecção nas primeiras semanas após (0,4%). A inserção pode ser feita em consultório ou no Hospital com anestesia geral, mas geralmente, a dor é tolerável e ocorre principalmente durante a colocação, que dura alguns segundos (algumas pessoas sentem um pouco de cólica nos primeiros dias, o que pode ser controlado com medicação).

    78% das mulheres usuárias de DIU permaneceram com o método após 1 ano de uso, ou seja, estavam satisfeitas (este número é de 68% entre as usuárias de pílula). 14% destas mulheres quiseram retirar o DIU por sangramento intenso ou dor e 6% acabaram expulsando o DIU durante o primeiro ano de uso. O DIU poderá se deslocar após as menstruações (geralmente, nas 3 primeiras após a inserção) ou após ressonância magnética, eletroterapia. Para averiguar se o DIU continua no local, a própria paciente pode se tocar e sentir o fio do DIU, ou realizar ecografia transvaginal. Durante a menstruação o fluxo pode ser mais intenso e doloroso.

    O DIU de cobre dura de 5-10 anos e a remoção geralmente é simples, feita no consultório, mas em alguns casos pode precisar ser retirada no Hospital com anestesia geral, devido à subida do fio para o colo, incrustamento do DIU no útero ou quebra do dispositivo (raro).

    Claro que o melhor método anticoncepcional é aquele que melhor se adapta ao seu caso e conversar com seu ginecologista sobre os métodos disponíveis é essencial.

    Texto de Dra Fernanda Pacheco-Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana

     

  • Saúde da Mulher – Exames e práticas Preventivas

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    Prevenção de Câncer: Os 5 tipos mais comuns em mulheres, fora câncer de pele que não melanoma, segundo o Instituto nacional do Câncer* são câncer de mama, cólon e reto, pulmão, colo e corpo uterino

    Exame Citopatológico ou Papanicolau: anualmente para prevenção do câncer de colo uterino. Iniciar após os 21 anos, ou após a primeira relação sexual. Detecta lesões iniciais provocadas pelo HPV, doença sexualmente transmissível que pode levar ao câncer de colo uterino. Este tipo de neoplasia é a segunda mais comum, entre as mulheres. Colposcopia auxilia no diagnóstico precoce de lesões no colo uterino. É um complemento ao anterior.

    Mamografia e Ecografia Mamária: Ajuda na detecção precoce do câncer de mama. Realizada  basal aos 35 anos e depois, anualmente, após os 40 anos. Devem ser feitas antes dependendo da história familiar para a doença. A ecografia mamária é um complemento à Mamografia para casos de mamas densas, prótese mamária, diferenciação de nódulos vistos em Mamografia. Além disto, recomenda-se exame clínico anual da mama e auto-exame mensal.

    Colonoscopia e pesquisa de sangue oculto nas fezes: Deve ser realizada em mulheres acima de 50 anos, ou antes, dependendo da história familiar. Previne o câncer colorretal.

    Cuidar da pele para evitar câncer de pele. Uso de filtro solar, evitar horários críticos do sol.

    Todos os episódios de sangramento vaginal após a menopausa devem ser investigados.

    Evitar tabagismo.

    Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e doenças Infecciosas: Abstinência sexual, redução do número de parceiros, uso de camisinha. Exames laboratoriais específicos dependendo de fatores de risco. Estar em dia com vacinas (HPV, Hepatite B, tétano, gripe, … consultar o calendário de vacinação adequado para você).

    Prevenção de Osteopenia, Osteoporose e Fraturas: Densitometria Óssea: Detecta a diminuição da densidade mineral óssea que pode levar a fraturas. É recomendada na menopausa ou antes se uso crônico de corticóide ou outro medicamento ou condição que interfira na massa óssea

    Prevenção de Doença Cardíaca Coronariana (Angina, Infarto), AVC (Derrame) e Vasculares: O risco aumenta com a idade e em pessoas com fatores de risco (Hipertensão, dislipidemia, diabetes, tabagismo e história familiar). Vale a pena um check-up cardiológico.

    *(http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/sintese-de-resultados-comentarios.asp). Estes dados diferem conforme a região do Brasil.

     

  • Dra. Fernanda Pacheco participa de pesquisa que devolve às mulheres na menopausa a capacidade de gestar

    AJOG-2015.001

    Co-autora de artigo sobre transplante de ovário publicado em uma das principais revistas americanas de Ginecologia e Obstetrícia. É com grande satisfação que compartilho trabalho em que fui co-autora juntamente com o grupo do Dr. Kutluk Oktay MD, PhD com quem trabalhei por mais de 1 ano na NYMC, EUA.

    O trabalho é um artigo original sobre duas pacientes de 23 anos que tiveram menopausa precoce após altas doses de quimioterapia. As pacientes tiveram um de seus ovários congelado antes do tratamento quimioterápico e retransplantado junto ao ovário remanescente 7 e 11 anos após, respectivamente (quando consideradas curadas da doença de base).

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