• Tudo o que você precisa saber sobre DIU de Cobre

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    Tenho notado na prática clínica uma tendência pela procura de DIUs não hormonais, os de cobre. As pacientes vêm indicadas por nutricionistas, nutrólogos, cardiologistas que indicam o método como uma medida para redução de peso, retenção hídrica, diminuição da pressão arterial, do risco de trombose, etc…ou pela simples vontade de sentir seu corpo sem a influência de hormônios.

    Historicamente, havia uma preocupação a respeito do maior risco de infecção pélvica nas usuárias de DIU, principalmente, entre mulheres jovens e sem filhos, pois estas infecções, ocasionadas por bactérias sexualmente transmissíveis, como gonorreia e clamídia, podem causar infertilidade, gestação ectópica, etc. E são justamente as mulheres jovens com atividade sexual e com vários parceiros que estão no grupo de maior risco para DSTs (PS: o uso de camisinha evita a ascensão de bactérias para o útero e pélvis). No entanto, trabalhos recentes mostram que esta preocupação pode não ser mais relevante graças ao desenvolvimento de dispositivos mais modernos, assim como o rastreamento e tratamento das infecções. Tanto que hoje em dia, o DIU é considerado um dos métodos de escolha entre adolescentes pela Sociedade Americana de Pediatria e Ginecologia devido a sua alta eficácia (0,8% das usuárias engravidaram no primeiro ano de uso típico x 8% entre as usuárias da pílula), baixa taxa de falha (imagina que a pílula pode ser tomada de forma inadequada, ser esquecida, inativada pelo uso de antibióticos, não ser absorvida no caso de vômitos, ou diarreia; enquanto o DIU, se normoposicionado, não sofre tais influências; mas atentar que anti-inflamatórios e tetraciclinas podem diminuir seu efeito). Mas lembrar que nenhum método é 100% eficaz contra gestação, nem mesmo a ligadura das trompas!

    Contra-indicações ao DIU de Cobre: Doenças que diminuem a imunidade, como AIDS, ou diabetes, uso crônico de corticoesteróides; tendênicia a anemia e/ou sangramento aumentado; defeitos das válvulas do coração; DST conhecida, suspeita de gravidez, câncer de útero ou colo, citopatológico alterado, malformação uterina…

    O principal mecanismo do DIU de Cobre é interferir na atuação dos espermatozoides e óvulos antes mesmo da fertilização.

    Existe um pequeno risco de perfuração uterina na inserção do DIU (0,1-0,3%) ou infecção nas primeiras semanas após (0,4%). A inserção pode ser feita em consultório ou no Hospital com anestesia geral, mas geralmente, a dor é tolerável e ocorre principalmente durante a colocação, que dura alguns segundos (algumas pessoas sentem um pouco de cólica nos primeiros dias, o que pode ser controlado com medicação).

    78% das mulheres usuárias de DIU permaneceram com o método após 1 ano de uso, ou seja, estavam satisfeitas (este número é de 68% entre as usuárias de pílula). 14% destas mulheres quiseram retirar o DIU por sangramento intenso ou dor e 6% acabaram expulsando o DIU durante o primeiro ano de uso. O DIU poderá se deslocar após as menstruações (geralmente, nas 3 primeiras após a inserção) ou após ressonância magnética, eletroterapia. Para averiguar se o DIU continua no local, a própria paciente pode se tocar e sentir o fio do DIU, ou realizar ecografia transvaginal. Durante a menstruação o fluxo pode ser mais intenso e doloroso.

    O DIU de cobre dura de 5-10 anos e a remoção geralmente é simples, feita no consultório, mas em alguns casos pode precisar ser retirada no Hospital com anestesia geral, devido à subida do fio para o colo, incrustamento do DIU no útero ou quebra do dispositivo (raro).

    Claro que o melhor método anticoncepcional é aquele que melhor se adapta ao seu caso e conversar com seu ginecologista sobre os métodos disponíveis é essencial.

    Texto de Dra Fernanda Pacheco-Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana

     

  • MATERNIDADE NA MATURIDADE

    gravidez na maturidade

    Um delicioso misto de surpresa com encantamento, foi como recebi a notícia da gravidez aos 40 anos. Extremamente focada na vida profissional e mais preparada para o declínio do período convencionado para a vida reprodutiva feminina e para o climatério, despertei para a percepção do meu corpo feminino, silenciosamente pronto para uma nova gestação.

    Me descobri deslumbrantemente mulher viçosa e renovada.

    A preocupação com a qualidade dos meus óvulos e a saúde do bebê era constante. Realizei os exames necessários para conhecer as condições da gestação, incluindo amniocentese para descartar cromossomopatias. Assim, conforme o feto foi se desenvolvendo e os exames vindo normais, fiquei livre para me entregar totalmente ao prazer da nova oportunidade (17 anos após a gestação anterior) de ver e sentir a capacidade e as transformações de meu corpo na passagem dos nove meses.

    Trabalhei com vitalidade e energia até o dia anterior ao parto. Com a obstetra que me acompanhou durante o pré-natal, optei pelo parto normal, pois querida uma recuperação mais rápida e tranquila conforme experiência anterior. No entanto, não tive as contrações suficientes e para evitar o sofrimento intrauterino do bebê, o parto se deu por cesárea.

    Neste momento, com maior estabilidade, formação profissional e trabalho consolidado, conhecimento e sabedoria adquirida por inúmeras vivencias, viagens e relacionamentos, a maternidade aos 40 anos significava uma nova oportunidade profunda e feminina de existir. As inseguranças, ansiedades e culpas, muito marcantes na mãe que fui aos 23 anos não se apresentavam mais para atrapalhar o prazer dos cuidados diários e da convivência com o “serzinho” que solicitava minha atenção.

    Ser Mãe é uma interação continua e complexa de solicitações, necessidades e expectativas geradas e resultantes pelo sentir, pensar e agir, para as quais nós mulheres nem sempre estamos totalmente preparadas, embora haja a pressão cultural do instinto  natural de prontidão e prazer pela maternidade.

    Portanto, minha experiência de maternidade na maturidade, me faz crer que quanto mais buscamos e avançamos na conquista da realização dos objetivos de vida pessoal, social, amorosa, profissional…, vivenciando as perdas e ganhos da ousadia de SER, maior será a tranquilidade e paz de espirito para ESTAR COMO MÃE.

     

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